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"Workshop" KISS olha para o futuro do futebol feminino

Os alicerces para o desenvolvimento do futebol feminino foram reforçados com a realização de um "Workshop" KISS em Estocolmo nos dias que antecederam a final do UEFA Women's EURO 2013.

Um dos painéis de debate do workshop
Um dos painéis de debate do workshop ©Sportsfile

Para além de uma extraordinária conclusão do UEFA Women's EURO 2013 em Solna, no domingo, o futebol feminino assistiu também ao fortalecer dos alicerces para o seu desenvolvimento com o "Workshop" KISS de Desenvolvimento do Futebol Feminino, levado a cabo em Estocolmo de sexta-feira a domingo, antes da realização da final da prova.

Todas as 54 federações nacionais de futebol que integram a UEFA estiveram representadas no evento que decorreu no Hilton Stockholm Guldgränd, promovido pelo Projecto de Partilha de Conhecimento e Informação da UEFA (KISS), que se encontra em operação desde 2005. Os delegados presentes tiveram oportunidade de discutir vários tópicos relativos à promoção do futebol feminino jovem e sénior, trocando entre si histórias de sucesso.

Dia 1 – Sexta-feira
O "workshop" abriu com um painel de debate sobre recrutamento e permanência, moderado por Rachel Pavlou, da Federação Inglesa de Futebol (FA), na companhia de Sara Booth, da Irlanda do Norte, de Zoran Mijović, do Montenegro, e de Øyvind Strom, da Noruega, que falou sobre o recrutamento de jovens raparigas para o futebol na qualidade de treinador de uma formação regional. A importância do 'triângulo mágico' composto pela casa, pela escola e pelo clube, a ligação com as equipas masculinas e a manutenção dessas raparigas no futebol entre os 13 e os 16 foram os assuntos que mereceram principal atenção.

Seguiram-se sessões de grupo onde se discutiu como federações de diferentes dimensões podem fazer crescer o seu futebol feminino, através de campanhas de desenvolvimento, de academias de trabalho, de Ligas amadoras, da utilização de voluntários - como sucedeu no UEFA Women's EURO 2013, onde 1400 pessoas ofereceram o seu tempo para ajudarem à realização do torneio - e do recurso a embaixadores que promovam a modalidade. Tal foi encorajado por duas pessoas que já desempenharam esse papel, a trinadora inglesa Hope Powell e a antiga jogadora internacional sueca Victoria Sandell Svensson, que tiraram partido da sua visibilidade junto dos media para encorajarem comunidades e crianças a juntarem-se ao mundo do futebol.

Dia 2 – Sábado
A abrir o dia, Giorgio Marchetti, director de competições da UEFA, conduziu um painel de debate sobre o calendário de futebol feminino internacional, contrastando com o calendário do futebol masculino. Entre os oradores estiveram representantes da FIFA, das federações de futebol da Rússia e da Áustria, o seleccionador da Finlândia, Andrèe Jeglertz, e representantes da Liga sueca e da formação alemã do 1. FFC Turbine Potsdam. As conversas centraram-se nas necessidades diferentes de selecções nacionais e clubes, sobretudo em países onde a maior parte das futebolistas são amadoras, mas também em Ligas onde actua um elevado número de jogadoras internacionais oriundas de federações estrangeiras. Foi encorajada uma alteração rumo ao estabelecimento de datas fixas para encontros amigáveis e jogos competitivos.

Realizaram-se, depois, sessões de grupo sobre o desenvolvimento de Ligas, clubes e da posição específica de guarda-redes, todas elas lideradas por especialistas em cada uma dessas áreas. O mesmo sucedeu à tarde, quando em cima da mesa esteve o desenvolvimento do futebol jovem feminino a nível nacional e regional, com enfâse nas barreiras culturais em países onde o futebol feminino dá ainda os seus primeiros passos; igualmente discutidas foram questões como problemas de saúde e lesões específicas na vertente feminina do jogo. Nesta última discussão, foi debatido o facto de lesões a nível dos ligamentos cruzados anteriores terem quatro a seis vezes mais probabilidades de se verificar no futebol feminino, algo a que os treinadores necessitam de dar especial atenção.

Dia 3 – Domingo
O dia abriu com um discurso de Karen Espelund, membro do Comité Executivo da UEFA e presidente do Comité de Futebol Feminino da UEFA, que falou do encontro dos secretários-gerais das 54 federações nacionais, reforçando o apoio que lhes é conferido pela UEFA. Depois, Michael van Praag, também ele membro do Comité Executivo da UEFA, liderou uma discussão sobre o apoio dado pelos governos ao futebol feminino, discussão essa que contou com o contributo da Ministra do Desporto da Escócia, Shona Robison. Robison explicou de que forma o governo escocês trabalha em conjunto com a Federação Escocesa de Futebol (SFA) de forma a ajudar o futebol feminino jovem e sénior, com apoio financeiro às "raízes" do futebol, e salientou que no seu antigo cargo como Ministra da Saúde percebeu que se as crianças tiverem uma vida activa enquanto jovens, é maior a probabilidade de terem depois, também, uma vida activa em adultas.

Para este debate contribuíram ainda Sharon Zeevi, responsável pelo futebol feminino da Federação Israelita de Futebol, Steffi Jones, embaixadora dos programas de futebol feminino da UEFA (WFDP) e directora da Federação Alemã de Futebol (DFB) para o futebol feminino, e Damir Vrbanović, presidente executivo da Federação Croata de Futebol (HNS). Todos eles deram exemplos de cooperação entre governos e federações nacionais. Por fim, Clémence Ross, antiga ministra do desporto da Holanda e actual membro do Comité de Futebol Feminino da UEFA, falou sobre a necessidade de convencer os políticos de que o futebol feminino é uma história de sucesso que pode ajudá-los a deixarem um legado.

O marketing e a promoção do futebol feminino foram o assunto seguinte em agenda, usando como exemplo países com a Inglaterra, a Alemanha, a Lituânia, Malta e a Áustria, onde se recorreu ao uso dos media tradicionais e dos novo media para contar a história do futebol feminino e, assim, atrair mais patrocinadores e participantes.