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Nuno Dias analisa UEFA Futsal EURO 2016

O treinador do Sporting, Nuno Dias, esteve na Sérvia a assistir ao Futsal EURO 2016 e analisa a prova para o UEFA.com, falando das surpresas, da eliminação de Portugal e de muito mais.

Nuno Dias, de 43 anos, é treinador do Sporting desde 2012/13
Nuno Dias, de 43 anos, é treinador do Sporting desde 2012/13 ©AFP/Getty Images

Espectador atento do UEFA Futsal EURO 2016, na Sérvia, onde esteve nos últimos dias a assistir ao torneio, o treinador do Sporting, Nuno Dias, analisou para o UEFA.com a prova ganha pela Espanha e, entre outros temas, fala das surpresas positiva e negativa, da eliminação de Portugal e dos melhores jogadores.

Quanto a ser seleccionador de Portugal, diz que "para já não". E justifica: "Gosto da competição e do treino semanal, da pressão de ganhar semana após semana. Estar tanto tempo sem competição faz com que esse cenário não esteja nos meus horizontes."

UEFA.com: Foi um espectador privilegiado deste Futsal EURO. Com que opinião é que fica da prova?
Nuno Dias: Foi mais uma boa organização à imagem do que têm sido as provas da UEFA, não só ao nível de selecções, mas também de clubes. Quanto aos resultados e às prestações desportivas, acho que não deixa grandes dúvidas: a Espanha foi melhor, muito melhor! Não me recordo de uma final tão desequilibrada quanto esta entre a Espanha e a Rússia. Estava à espera de mais da Rússia e de outras selecções também. Não deixou qualquer dúvida o poderio e a qualidade superior da Espanha em relação a todas as outras selecções.

UEFA.com: A nível táctico, houve alguma novidade? Falou-se muito do 5 para 4 do Cazaquistão...
Nuno Dias: Não foi surpresa, porque o Kairat faz isto – grande parte da selecção do Cazaquistão são jogadores do Kairat. Cabe-nos a nós, treinadores, perceber o que se faz e defender melhor nessas situações. E nesse aspecto, mais uma vez, a Espanha ultrapassou o 5 para 4 e não teve esses problemas.

Final do Futsal EURO 2016: Rússia 3-7 Espanha

UEFA.com: Acredita que teria sido diferente se o Higuita tivesse jogado contra a Espanha?
Nuno Dias: Poderia ter sido diferente porque o Huguita, apesar de ser guarda-redes, finaliza de fora melhor do que grande parte dos jogadores do Cazaquistão e na baliza, obviamente, dá outra segurança. Aliás, também na final contra a Rússia, apesar do desnível tão grande, se calhar com o Eder Lima poderia ter sido diferente. Mas, sinceramente, não acredito que a diferença fosse assim tão grande e a Espanha, com mais ou menos dificuldade, ia vencer, dada a intensidade que colocou no jogo e a forma rígida e agressiva com que defendeu, não deixando grandes oportunidades aos adversários.

Não houve grandes novidades a nível táctico, pois o 5 para 4 do Cazaquistão não é nenhuma novidade e nada que com trabalho não se consiga anular. Houve uma ou outra situação de estratégia, pontapés de linha lateral ou cantos, nomeadamente da Espanha, a que já estamos habituados, mas também da Sérvia – gostei bastante da sua movimentação estratégica. Não houve surpresas na classificação e na qualidade de jogo.

Alex Merlim (nº10) festeja um golos que marcou pela Itália
Alex Merlim (nº10) festeja um golos que marcou pela Itália©Sportsfile

UEFA.com: Quais foram para si as surpresas pela positiva e também pela negativa?
Nuno Dias:
Pela negativa a Itália, infelizmente – digo isto porque temos no Sporting dois jogadores da selecção italiana [Alex Merlim e Rodolfo Fortino]. E de Portugal todos esperávamos mais, que chegasse mais longe. Mas a partir do momento em que não conseguimos ser primeiros classificados e que o nosso cruzamento nos colocava frente à Espanha, sabíamos que as coisas se iriam tornar difíceis. Foram as duas selecções que, pelo seu historial, mais se esperava delas – em especial a Itália, pela sua qualidade de jogo inicial. De resto, desiludiu-me a forma desequilibrada como foi disputada a final. Esperava mais da Rússia nesse jogo.

UEFA.com: Treina alguns dos jogadores da selecção portuguesa. Pela sua posição privilegiada, por que motivo acha que Portugal continua a falhar nesta prova?
Nuno Dias:
Há muitos motivos que são apontados, como a competitividade da nossa Liga. Mas não me parece que esse seja um motivo, pois as Ligas do Cazaquistão ou da Sérvia, por exemplo, não são assim tão fortes, e essas selecções chegaram às meias-finais. Na minha opinião, a Liga portuguesa não é assim tão fraca que possa servir de desculpa. Pela forma como os clubes portugueses, em especial o Sporting e o Benfica, se têm batido de igual forma com as equipas espanholas, como aconteceu na Masters Cup, na Taça UEFA Futsal, não se esperaria um desnível tão grande. Há um desnível na qualidade, obviamente, mas há também um problema de mentalidade. Temos de ser mais fortes em termos mentais para lutarmos quando as situações tácticas e individuais não nos saem tão bem.

UEFA.com: Como vê o futuro do futsal português? Está-se a trabalhar bem na formação?
Nuno Dias:
Penso que a Federação Portuguesa de Futebol está a ter um papel importante, pela forma como fez evoluir as selecções de Sub-17 e Sub-19. Há uma tentativa de construir selecções mais jovens, dar-lhes experiência internacional e competitiva, e isso é importante. Mas há outros passos a ser dados, inclusivamente na formação dos treinadores.

Mladen Kocić, da Sérvia, foi um dos jogadores que mais impressionou Nuno Dias
Mladen Kocić, da Sérvia, foi um dos jogadores que mais impressionou Nuno Dias©Getty Images

UEFA.com: Que jogadores deste EURO lhe encheram as medidas?
Nuno Dias:
Da Espanha, vários. Não me surpreenderam, pois já os conhecia. Mas na final, nomes como Pola e Miguelín foram claramente os melhores; Mladen Kocić, o número 10 da Sérvia, enquanto teve força e disponibilidade física, também desequilibrou; o Douglas Jr. e o Leo, do Cazaquistão, também estiveram fantásticos. Mas, de uma forma geral, foram os jogadores espanhóis a brilhar. De Portugal, Ricardinho fez um excelente Europeu, mas não houve correspondência a nível colectivo.

UEFA.com: É um dos seus objectivos de carreira orientar a selecção de Portugal?
Nuno Dias:
Não penso nisso. Gosto da competição e do treino semanal, da pressão de ganhar semana após semana, preparar os jogos, analisar adversários. Estar tanto tempo sem competição, como é o caso das selecções, faz com que esse cenário não esteja nos meus horizontes. Mas olhando para estas competições é natural sentir que gostaríamos de ali estar. Mas para já não.

Ricardinho
Ricardinho©Getty Images