Itália no topo do mundo

Itália 1-1 França (após prolongamento, Itália vence por 5-3 nos penalties) Grosso deu o quarto título à "squadra azzurra".

A Itália conquistou este domingo o Campeonato do Mundo de 2006, após ter batido a França, por 5-3, no desempate por grandes penalidades, na sequência do empate a uma bola registado ao cabo de 120 minutos. Zinédine Zidane, que disputou a última partida da sua ilustre carreira, marcou o tento gaulês e acabou por ser expulso, enquanto Grosso apontou o penalty decisivo.

Penalty a abrir
Como se esperava, sobretudo tendo em conta a responsabilidade inerente a uma final de um Mundial, as duas equipas abordaram o jogo de uma forma cautelosa, tentando evitar ao máximo qualquer erro madrugador. No entanto, foi isso mesmo que aconteceu aos sete minutos, quando Marco Materazzi derrubou Malouda no interior da área italiana, com o árbitro da partida, o argentino Horacio Helizondo, a assinalar grande penalidade. Chamado a converter o castigo máximo, Zinédine Zidane optou por um remate subtil, em tudo igual ao célebre penalty de Panenka na final do Europeu de 1976. A bola embateu na trave, mas acabou por ressaltar para dentro da baliza, deixando em delírio os adeptos gauleses.

Materazzi redime-se
A Itália não acusou o toque e partiu em busca do tento do empate, instalando-se no meio-campo do adversário. O resultado mais visível do ascendente da "squadra azzurra" foi uma série de cantos e livres, que viria a culminar no golo da igualdade, aos 19 minutos. Andrea Pirlo cobrou um canto na direita e cruzou para o cabeamento certeiro de Materazzi, que bateu Patrick Vieira nas alturas. O golo do central transalpino devolveu o equilíbrio de forças à partida, isto apesar de a Itália ter continuado a ser a equipa mais perigosa, nomeadamente nos lances de bola parada.

Toni acerta na barra
E foi precisamente num desses momentos, aos 36 minutos, que Luca Toni viu o seu cabeceamento embater na barra da baliza francesa, na sequência de mais um canto letal de Pirlo. A etapa complementar arrancou logo com um lance vistoso, com Thierry Henry a passar em velocidade por vários adversários, mas o seu remate na passada saiu fraco e à figura de Buffon. Esse desperdício deu o mote para um período de algum domínio francês, exponenciado na mestria de Zidane e na velocidade de Henry e Ribéry. Malouda também subiu de produção, o que lhe permitiu colocar outro tipo de problemas ao defesa-direito italiano, Zambrotta.

Vieira lesionado
Contudo, a estratégia dos "bleus" sofreu um rude golpe aos 56 minutos, quando Vieira sofreu uma lesão muscular na coxa e teve de ser substituído por Diarra. Esse contratempo fez com que a Itália "voltasse" ao jogo, sendo que os "azzurri" chegaram mesmo a gritar golo aos 63 minutos, mas o cabeceamento certeiro de Luca Toni, após livre de Pirlo, foi invalidado por fora-de-jogo. A resposta gaulesa não tardou e Henry obrigou Buffon a uma defesa apertada, numa altura em que era virtualmente impossível descortinar o futuro vencedor. A vontade de marcar das duas equipas não foi, porém, suficiente para evitar a disputa de um prolongamento.

França mais ambiciosa
Mesmo com as suas duas maiores estrelas (Zidane e Henry) a evidenciarem claros sinais de cansaço, a França foi sempre a equipa que mais procurou o golo, na tentativa de evitar a lotaria dos penalties. Esse objectivo ficou a milímetros de se concretizar aos 99 minutos, altura em que Ribéry tabelou na perfeição com Malouda, antes de rematar rasteiro ao poste mais distante, com a bola a rasar o poste. A superioridade gaulesa voltou a produzir nova oportunidade quatro minutos volvidos, quando Sagnol cruzou da direita e proporcionou a Zidane um excelente cabeceamento, valendo à Itália uma defesa de outro mundo de Buffon.

Zidane expulso
O momento negro do encontro surgiu aos 110 minutos, altura em que Zinédine Zidane viu o cartão vermelho directo, após ter agredido Materazzi. Esse lance ditou um doloroso e inesperado adeus aos relvados do astro francês, que já havia anunciado que iria pendurar as chuteiras no final da prova. Porém, e apesar de ter mais um jogador, a Itália pareceu sempre mais interessada em levar o jogo para as grandes penalidades, cenário que acabou mesmo por acontecer.

Itália mais feliz nos penalties
Na hora da verdade, o único a falhar foi David Trezeguet, curiosamente colega de equipa de Buffon na Juventus. O último e decisivo remate pertenceu a Grosso, que lançou a festa nas hostes transalpinas. Estava, assim, garantido o quarto título mundial para a Itália, que se vingou da derrota na final do Campeonato da Europa de 2000.

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