
Erik Hamrén deu voz ao sentimento de milhões de suecos, depois de ver a sua equipa recuperar de uma desvantagem de 4-0 para somar um empate frente à Alemanha, em Berlim: "Sinto-me muito orgulhoso. E, ao mesmo tempo, muito estranho."
É normal que quem defronte a Alemanha seja submetido a grande pressão, em especial em solo germânico. E também é normal ficar a perder por alguns golos de diferença. O que nunca se tinha visto era uma selecção que defrontasse a tricampeã mundial Alemanha recuperar de uma desvantagem de quatro golos. A Suécia conseguiu fazê-lo e permanece invicta no Grupo C de qualificação para o Campeonato do Mundo.
Hamrén afirmou: "Sou treinador há 30 anos e nunca tinha recuperado um resultado depois de estar a perder por 4-0. Esta noite conseguimos fazê-lo diante de uma das melhores selecções do Mundo."
Com o adversário a mostrar-se muito forte desde os instantes iniciais do encontro, o apito final da primeira parte constituiu um alívio para os jogadores suecos, com a selecção da casa a vencer já por 3-0. "Durante o intervalo disse aos meus jogadores que não íamos ser capazes de ganhar o jogo, mas que ainda podíamos ganhar algo", explicou Hamrén. "Podíamos ganhar moral e a possibilidade de nos olharmos com dignidade para o espelho no final do jogo."
Hamrén efectuou duas substituições para o arranque do segundo tempo, lançando em campo Alexander Kacaniklic e Kim Källström, que se revelaram fulcrais na inesperada recuperação. "Durante a primeira parte percebi quais eram alguns dos problemas que estávamos a ter", referiu Källström. "Estávamos a ter muitas dificuldades em segurar a bola. Tinha uma ideia do que necessitava de ser feito, mas não passava pelos sonhos de ninguém que iríamos ser capazes de dar a volta aos acontecimentos."
Foi, contudo, o que acabou por acontecer. Do pé esquerdo de Källström saíram os passes para Zlatan Ibrahimović, Johan Elmander e Mikael Lustig colocaram o marcador em 4-3, antes de Rasmus Elm selar o empate, em cima do apito final. "Mostrámos grande atitude e qualidade", realçou Källström. "Acreditar não chega, há que ter qualidade suficiente para suportar essa crença."
Ibrahimović acrescentou: "Todos os que assistiram ao jogo viram a forma como nós íamos buscar a bola ao fundo das redes após cada golo que marcávamos. Depois de fazer o 4-1 fui de imediato buscar a bola. Depois foi o Johan a fazer o mesmo e depois o Lustig. Acreditámos sempre que podíamos recuperar."
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