Treinador vencedor

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Treinador vencedor

O treinador vencedor
Calle Barrling (Sweden) ©Sportsfile

Treinador vencedor

O triunfo da Suécia no Europeu Feminino de Sub-19, em Netanya, despertou simultaneamente uma sensação de "déjà-vu" e de progressiva modernização no que diz respeito ao papel das equipas técnicas no futebol jovem de selecções.

sabia que a Espanha iria ter mais bola, mesmo que nós o tentássemos contrariar, e acabámos por apostar numa defesa segura e em transições rápidas
Calle Barrling

Calle Barrling regressou ao pódio dos vencedores com uma vitória sobre a Espanha, precisamente o mesmo país que a Suécia havia derrotado na final aquando do seu primeiro triunfo na prova, em 2012, e a sua declaração após do encontro, dizendo que as suas jogadoras "são diamantes que ele teve apenas de polir em alguns momentos", mostra a modéstia que tanto o caracteriza. Mas o dedo do técnico na conquista do troféu foi evidente.

Frente a diferentes adversários, todos eles com identidades diferentes na sua forma de jogar, é preciso possuir uma grande capacidade táctica e foi esse aspecto que trabalhámos durante todo o ano", explicou Barrling. "Mas, penso que o passo seguinte para estas jovens, já muito rápidas e dotadas tecnicamente, passa por fazê-las crescer tanto a nível físico como a nível táctico".

Barrling catalogou as suas pupilas como a equipa mais tacticamente dotada que alguma vez treinou, factor que diz ter estado na base do seu sucesso. "Penso que contamos com jogadoras extremamente dotadas, o que nos permite jogar em diferentes estilos e variar diversos aspectos, consoante o adversário".

"Por exemplo, frente a Israel [no jogo de estreia na fase de grupos], sabíamos que íamos ter mais tempo de posse de bola, por isso foi esse o aspecto-chave nesse encontro. Na final, sabia que a Espanha iria ter mais bola, mesmo que nós o tentássemos contrariar, e acabámos por apostar numa defesa segura e em transições rápidas". Mesmo tendo isso em conta, procurou não complicar demasiado as instruções dadas às jogadoras, segundo Stina Blackstenius, melhor futebolista do torneio.

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Barrling tranquila durante a final

"Não recebi nenhuma dica ou indicação em particular", recorda aquela que foi também a maior goleadora da prova, "apenas algumas indicações sobre como nós, enquanto avançadas, devíamos abordar a defesa contrária e tentar reduzir os espaços às centrocampistas adversárias. Tirando isso, nada mais."

A experiência de uma década de Barrling ao leme da selecção Sub-19 da Suécia permitiu-lhe algo extra em outras áreas, criando os alicerces para que a equipa pudesse mostrar diferentes forças sempre que necessário.

Entre os principais aspectos da preparação sueca para o torneio esteve o aspecto mental, incluindo a preocupação em saber lidar com a humidade, de forma a que a equipa pudesse maximizar todo o seu potencial. "Procurámos ter a mentalidade adequada. Queríamos estar fortes e desfrutar da nossa presença aqui, pois sabíamos que iria ser mentalmente duro."

O seleccionador sueco não esconde um rasgado sorriso quando recorda o momento em que a sua equipa celebrou com a selecção Sub-21 masculina quando esta regressou a casa depois de se sagrar campeã da Europa na República Checa, no início do Verão. Barrling reconhece o ímpeto psicológico que tal terá tido nas suas jogadoras, mas salienta a importância de ter a capacidade de transportar para o campo de jogo esse ímpeto como um dos segredos da prestação das suas pupilas.

"Se se quer ganhar algo é preciso ter a melhor equipas médica, os melhores analistas vídeo, e por aí fora. E eu acredito que o tenho. Estou muito satisfeito com a vertente física da minha equipa ao longo do torneio e com as análises de vídeo efectuadas porque, por exemplo, tivemos oportunidade de analisar muito bem tanto a Espanha como a Alemanha. E, fisicamente, conseguimos mostrar força nas pernas até ao minuto 96 da final do torneio, o que vai muito para além do que eu esperava. Depois, tacticamente as jogadoras também trabalharam bem com os seus clubes, pelo que também tenho de lhes deixar alguns elogios e felicitações."

De crucial importância para o feito de conquistar o torneio foi a rede que liga os 24 distritos futebolísticos da Suécia aos clubes, às jogadoras e, consequentemente, à federação nacional. Trata-se de uma cooperação de grande valor, que fez uma grande diferença no desfecho da prova, tal como o fez a disponibilidade das jogadoras, com apenas a guarda-redes e capitão Zecira Musovic ausente, em virtude dos compromissos do seu clube. A prova de que, de facto, Barrling tem consciência do que diz quando afirma que grande parte do trabalho junto das jogadoras é feito antes de ele se juntar para "polir os seus diamantes".

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Barrling abraça a sua capitã, Nathalie Björn

Esses diamantes terão, agora, oportunidade para brilharem ainda mais. A Suécia revelou na final, frente à Espanha, e em largos momentos da dura batalha das meias-finais com a Alemanha, decidida apenas nos penalties, uma maturidade muito para além da juventude das jogadoras que apresentou. E dez dessas jogadoras que se sagraram campeãs em Israel poderão mesmo voltar para a edição de 2016 da prova, caso a Suécia se qualifique para o torneio final, a disputar na Eslováquia, ainda que Barrling diga que irá proceder a alguma rotação nas convocatórias, dependendo das jogadoras que competirem no Campeonato do Mundo Feminino de Sub-20, na Papua Nova Guiné.

O trabalho ainda não está terminado para o seleccionador, cujo objectivo número um passa por deixar as jogadoras prontas para darem o salto para a selecção principal, procurando esticar ao máximo o período de desenvolvimento das atletas. Assim, os troféus não serão, para ele, o mais importante, mas a julgar pelo sorriso de vencedor espelhado no seu rosto, Barrling ficou bem feliz com o belo trabalho realizado em Israel.

http://pt.uefa.com/womensunder19/season=2015/technical-report/winning-coach/index.html#o+treinador+vencedor