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Suecas tornam-se "heroínas do seu tempo"

Os festejos da Suécia em Netanya começaram ao som do tema com que o país venceu o Festival Eurovisão da Canção do mesmo ano. "Somos heróis do nosso tempo", neste caso heroínas, pode ter sido um hino apropriado para o segundo título Sub-19 feminino da nação, mas houve muitas peças do puzzle que tiveram de se juntar para que a conquista do troféu fosse uma realidade.

Ela desempenha um papel no qual cria oportunidades e marca golos, e é magnífica nisso
Hope Powell on Stina Blackstenius

Após o sucesso de 2012 – também conseguido numa final frente à Espanha – Carre Barrling "poliu os seus diamantes" o suficiente para que estes voltassem a brilhar nos grandes palcos, assumindo o comando do jogo graças a um equilíbrio entre combinação e poderio físico, ao mesmo tempo que aproveitava as oportunidades que tinha, mercê da astúcia e maturidade física de Stina Blackstenius, a sua nº9.

Blackstenius viria a servir de "catalisador" do jogo ofensivo da Suécia, como representante imponente do seu potencial atacante. Mas a Espanha não exibiu as qualidades que lhe permitiram chegar até à final, com baixa intensidade e ocasionalmente dependente de passes longos para a zona ofensiva.

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A Suécia festeja a vitória na final

 Logo no primeiro minuto, Nuria Garrote fez um passe comprido para a esquerda, e ao invés de ser uma raridade, provou ser uma característica mais comum do que seria de esperar. A Suécia recostou-se e desfrutou da sua primeira batalha ganha.

A seguinte foi conquistada por Blackstenius. Primeiro, a avançada arrancou pela direita para assustar a defesa espanhola quando em posse da bola, e no espaço de poucos minutos foi até à linha-de-fundo com igual perigo. Quase omnipresente, saltou mais alto para afastar a bola num canto na sua área e voltou a incomodar a retaguarda espanhola numa jogada individual notável.

"É muito difícil lidar com uma jogadora como ela", admitiu mais tarde Jorge Vilda, seleccionador da Espanha, dando eco às palavras de Maren Meinert, homóloga da Alemanha, apenas três dias antes, no mesmo estádio. "É como defrontar uma equipa com Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi – quando alguém é assim tão melhor que os restantes, é complicado de controlar".

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Blackstenius ''como defrontar Ronaldo ou Messi''

E assim foi. A Espanha tinha criado alguma confusão na área quando pressionou aos 23 minutos, com Ronja Aronsson a aliviar o perigo para longe. A bola encontrou Blackstenius isolada, 40 metros à frente, mas a distância até à baliza não atemorizou a avançada, que enfrentou e ultrapassou Rocío Gálvez em velocidade, rumo à área espanhola, antes de concluir o lance com uma bola picada delicadamente, que terminou na rede superior da baliza.

"Ela tem tanta confiança, bem como maturidade e sentido posicional, que isso faz com que esteja um nível acima das restantes jogadoras", disse Hope Powell, observadora técnica da UEFA. "Muito disto tem a ver com ela, a sua movimentação, tempo de reacção e a forma como escapa à última defesa".

Apesar de toda a sua actividade fulgurante, foi de maneira algo incaracterística que Blackstenius inaugurou o marcador em Netanya, aparecendo ao segundo poste para encostar a bola após um canto, pelo qual Aronsson e Lotta Ökvist discutiram sobre quem o ia cobrar.

A Espanha encontrava-se em desvantagem pelo quarto jogo consecutivo, e a dificuldade da sua tarefa viria a aumentar ainda mais pouco tempo depois, quando Tove Almqvist, colega de Blackstenius no Linköpings, efectuou um cruzamento perfeito para a cabeça da No9, que apontou o seu sexto golo na fase final.

"Ela desempenha um papel no qual cria oportunidades e marca golos, e é magnífica nisso", declarou um tímido Barrling após o apito final. "Mas este ano também melhorou a sua cooperação com as colegas e a forma de criar ocasiões de golo. Sempre foi forte e muito rápida, mas evoluiu a nível táctico e técnico".

A presença de Blackstenius foi tão dominante que por vezes era fácil reduzir ao mínimo a influência das restantes 21 jogadoras em campo. Com a confiança aumentada após os dois penalties defendidos no desempate frente à Alemanha, nas meias-finais, Emma Holmgren assumiu o comando da sua área, decisiva em avaliar e afastar jogadas aéreas. A estrutura sueca à sua frente manteve-se fiel à qualidade exibida em desafios anteriores.

Veja os melhores momentos da final

A Espanha revelou dificuldades para repetir a imaculada complexidade técnica que lhe permitiu ultrapassar uma fase de grupos complicada, bem como uma meia-final delicada diante da França. Fatigada pelo esforço despendido nos quatro jogos anteriores e pela energia gasta para tentar travar as fortes suecas, teve dificuldades em penetrar na defesa adversária através de vários passes bem medidos e pacientes, assim como aumentar o ritmo do seu jogo à medida que o tempo avançava.

Sandra Hernández foi colocada em campo para aproveitar o espaço entre o meio-campo e o ataque, atrás de Nahikari García, e à medida que a segunda parte avançava, enquanto a Suécia passava a actuar em 4-5-1, com Linda Hallin a recuar no meio-campo, antes de ser substituída pela trabalhadora Filippa Angeldal, a 22 minutos do fim. Também houve mudanças na Espanha. Laura Ortega cedeu o seu lugar no ataque a Laura Domínguez, na esquerda do tridente ofensivo, e Paula Mañoso entrou para o lugar de Andrea Sánchez, naquela que foi apenas a sua segunda presença no torneio.

Um minuto após a segunda substituição, a Espanha reduziu a diferença. Ao contrário do que tinha acontecido antes, Garrote acelerou até à linha-de-fundo, pelo lado direito, e fez um cruzamento preciso, que escapou a Holmgren e permitiu a Hernández cabecear para a baliza vazia.

A natureza desgastante do embate começava a deixar marcas. Almqvist tinha sido substituída pouco tempo antes do golo espanhol, depois de ter recebido assistência médica a uma cãibra, a lutadora capitão Nathalie Björn tinha sido assistida na cabeça e na face antes de sair de campo. Do lado espanhol, e situação perigosa em que se encontrava já tinha obrigado à mudança para apenas três jogadoras na defesa.

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O golo da Espanha deu alguma esperança

As alterações estruturais da Suécia foram menores, confiante que, enquanto Blackstenius tivesse espaço para correr, seria uma ameaça constante, à medida que os espaços começavam a aparecer no meio-campo contrário. A marcadora passou a assistente no momento decisivo, rumando à linha-de-fundo para assistir Angeldal, que desfeiteou Elena De Toro e provocou ruidosos festejos.

"A Suécia tem a capacidade para, como equipa, utilizar o seu momento de transição muito bem", explicou Hesterine de Reus, observadora técnica da UEFA. "Possui jogadoras habilidosas no meio-campo, que são capazes de realizar um óptimo passe para uma avançada muito boa, que efectuou arrancadas no momento certo para fazer a diferença, apesar de a abordagem da Espanha ter ajudado o conjunto nórdico".

E assim a Suécia subiu ao pódio, para receber o troféu e a adulação dos 7230 espectadores às suas heroínas. Num ano de desilusão no Campeonato do Mundo Feminino, a oportunidade de transferir este sucesso para a selecção principal sueca faz parte dos próximos desafios de Calle Barrling, tal como o Campeonato do Mundo Feminino de Sub-20, na Papua Nova Guiné, no próximo ano.

http://pt.uefa.com/womensunder19/season=2015/technical-report/the-final/index.html#a+final