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Bolas paradas impulsionam Irlanda

Bolas paradas impulsionam Irlanda

“Sinto-me descontraído e a equipa também parece estar”, disse David Connel após a República da Irlanda tornar-se na 25ª selecção a figurar numa fase final do Campeonato da Europa Sub-19. “É um grande passo para algumas delas pelo que temos de ver como é que reagem. Vamos fazer com que seja difícil para as outras equipas.” E assim foi. Na medida em que as estreantes irlandesas foram a única equipa a vencer os três jogos do grupo - recuperando de uma desvantagem de um golo em dois deles - para se tornarem numa tendência da competição. No seu jogo de abertura, comprometimento, ética de trabalho e tenacidade, juntamente com uma pressão agressiva, deu-lhes a vantagem final na vitória por 1-0 contra a Espanha. De seguida, impediram a Inglaterra de marcar mais do que um golo, dominando e ultrapassando a defesa contrária transformando em golos dois lances de bola parada. Contra a Suécia, dois golos de pontapé livre produziram os mesmos dividendos.

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A Irlanda celebra vitória ante a Suécia

Os sucessos irlandeses deram mais emoção ao grupo. A sua vitória na abertura submeteu a equipa de Jorge Vidal a uma pressão extrema. O nervosismo abalou-as contra a Suécia e a Inglaterra, mas a sua confiança na técnica e posse de bola, em última instância, garantiu duas vitórias por 2-0, que lhes valeu o segundo lugar, apesar das rotações posicionais na Inglaterra inicialmente terem causado estragos na estratégia de marcação das espanholas.

As inglesas, lideradas pelo coordenador dos escalões jovens Brent Hills, enquanto o seleccionador Mo Marley preparou o plantel de “primeiras escolhas” para o Campeonato do Mundo Feminino de Sub-20, mostraram muita juventude, equipas inexperientes que, no entanto, praticaram um futebol de combinações atraente faltando apenas acerto no último terço do campo. As três derrotas foram uma recompensa escassa ainda que seja um bom augúrio para as jogadoras elegíveis perfilarem-se para repetir a presença em 2014/15. A primeira derrota (2-0 contra a Suécia graças a um autogolo e uma bola passada sobre a lateral) pareceu colocar a equipa de Calle Barrling no bom caminho. Mas sentiu dificuldades para lidar com jogo de posse da Espanha e as suas poucas tentativas de golo não causaram qualquer dano. E apesar do acerto do esquema táctico 4-4-2, a campanha da Suécia cessou quando sofreu os dois golos de bola parada da Irlanda.

Enquanto o Grupo B estava ao rubro, no Grupo A havia um eliminado prematuro. A Bélgica havia cometido a surpresa do ano ao eliminar a Alemanha e sublinhou a sua capacidade para recuperar bolas e criar uma sequência de confrontos um-contra-um com o guarda-redes da Escócia - mas desperdiçando-as todas. Perdas de bola intempestivas condenaram-na a uma derrota por 2-0 e a um segundo jogo carregado de pressão contra as anfitriãs. Mais uma vez, um bom trabalho e esforço acabaram desfeitos por erros e na finalização – com a derrota por 2-1 a conferir um estatuto anedótico à sua derrota por 1-0 no derby local contra a Holanda.

Com três pontos somados, a Escócia teve um início desastroso contra a Holanda, sofrendo três golos até aos 24 minutos, motivando Gareth Evans a mudar de 4-4-2 para 4-3-3, depois de meia hora, e a fazer uma dupla substituição ao intervalo. A remodelação foi pouco menos que providencial, com as escocesas a fazerem dois golos - mas não um terceiro. Sob um calor escaldante que obrigou as equipas a jogar no último dias da fase de grupos, a Escócia murchou – sofrendo novamente três golos antes do intervalo e, depois dele, mais dois, em vez dos que tinha para marcar. A vitória por 5-0 mostrou as virtudes da Noruega. As holandesas conseguiram contê-las no dia da abertura, mas as belgas e as escocesas foram incapazes de contrariar o seu poder, o ritmo e a vocação atacante da equipa de Jarl Torske, com as anfitriãs a afirmarem-se no primeiro lugar no grupo.

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Espanha esteve bem contra as locais

Mas o sonho de Torske de descer o pano depois de 14 anos como treinador de Sub-18 e Sub-19 com a conquista do título foi frustrado por um desempenho abaixo do que era esperado contra uma equipa espanhola que melhorava de jogo para jogo. A estratégia de Jorge Vidal destacava o controlo apertado às médias da Noruega, Lisa Naalsund e Sigrid Hansen, enquanto María Caldentey escapava-se à áspera defesa anfitriã com incursões pela esquerda e ameaçando combinações com a ardilosa e irrequieta atacante Nahikari García. Uma primeira parte nervosa, jogada sob chuva torrencial, ficou marcada por rápidos contra-ataques com nenhuma das equipas a mostrar-se capaz de assumir um controlo efectivo da posse de bola. E foi só depois do intervalo que a Espanha conseguiu actuar como equipa; criando oportunidades atrás de oportunidades contra uma defesa nervosa – mas sem as conseguir materializar. Sobrevivendo aos 15 minutos, as anfitriãs começaram a ganhar terreno, sofrendo o primeiro golo depois de por duas vezes não conseguirem aliviar um canto curto. Outro canto, já no período de descontos, selou o seu destino, com a capitã de Espanha, Marta Turmo, ambiciosa, a surgir diante da defesa na área da Noruega para fazer de cabeça o último golo.

A outra meia-final, apesar de começar uma hora mais tarde, acabou ao mesmo tempo. O seleccionador da República da Irlanda, David Connell reconheceu que a meia-final tinha sido uma ponte longa demais depois de ver a sua equipa sofrer dois golos em 34 minutos e ter de lutar para lidar com o poderoso jogo holandês. Mais dois golos nos primeiros dez minutos da segunda parte permitiram à impressionante e poderosa atacante Vivianne Miedema completar o “hat-trick” e também ao seleccionador Andre Koolhof tranquilamente rodar a equipa com substituições acabando com uma vitória por 4-0 que configurou uma final no magnífico cenário do estádio Ullevaal, em Oslo, de deixar água na boca.

http://pt.uefa.com/womensunder19/season=2014/technical-report/road-to-the-final/index.html#caminho+final