Treinador vencedor

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Quando soou o apito final em Llanelli, a primeira reacção de Gilles Eyquem foi abraçar o director-desportivo Erny Jacky, a treinadora-adjunta Sandrine Ringler, a treinadora de guarda-redes Sandrine Roux e as restantes jogadoras suplentes.

Eyquem tinha noção da importância da sua equipa técnica, depois de ter passado uma década nesse papel secundário de treinador nos escalões jovens masculinos de França. Estabeleceu uma estreita colaboração com Philippe Bergeroo, que foi nomeado o novo seleccionador da equipa sénior feminina algumas semanas antes de Eyquem levar a sua equipa ao País de Wales.

Eyquem foi convidado para orientar a selecção Sub-19 feminina em Agosto de 2012, o que significou que a final no Parc y Scarlets foi apenas o 16º jogo no comando da equipa. "Foi a minha estreia no futebol feminino", admitiu "e fiquei muito surpreendido com a qualidade das adversárias que tivemos na fase de qualificação. Aprendi depressa sobre os níveis de gestão de riscos entre os nossos oponentes, provavelmente porque dispensaram um respeito enorme à selecção de França."

Recém-chegado ao futebol feminino, mas não tão novo em termos de experiência. A carreira de Eyquem enquanto defesa fê-lo alinhar no Bordéus, Guingamp, Cannes, Niort, Angers e, por último, Cherbourg, onde deu os primeiros passos como treinador na época 1991/92. Seguiram-se oito temporadas no Agen, antes de assumir responsabilidades regionais no departamento técnico da Federação Francesa de Futebol (FFF).

O seu desafio ao aceitar treinar a selecção de Sub-19 feminina foi tentar repetir o triunfo averbado no Campeonato da Europa Feminino de Sub-19 de 2010 (sobre a Inglaterra), logrado por Jean-Michel Degrange, encorajando ainda os membros da selecção campeã mundial de Sub-17, orientada por Guy Ferrier, a subir mais uns degraus na sua formação.

"O meu critério de selecção", disse, "passou pela técnica e pela atitude. Fomos fortes e tivemos espírito competitivo porque a geração do Campeonato do Mundo tinha o hábito de vencer e sabia o que era preciso para chegar ao título. Mas mesmo elas foram surpreendidas pela diferença de ritmo e as exigências físicas a nível das Sub-19.

©Sportsfile

A selecção vitoriosa num passeio pela praia

"As raparigas do Campeonato do Mundo não se juntaram à equipa antes de Janeiro de 2013, pelo que antes de viajar para Gales tive um grupo de 25 jogadoras a trabalhar 11 dias num clima semelhante na Bretanha. Nos derradeiros três dias trabalhei com 19 – a equipa, mais uma guarda-redes extra devido a lesões. Treinámos duas vezes por dia e apercebi-me que vínhamos a treinar muito forte, com algumas jogadoras a acusarem pequenas distensões musculares e queixas. Mas isso preparou-as para o exigente calendário do torneio."

A sua experiência com equipas de futebol masculino de menor idade deixou Eyquem numa boa posição em termos de gestão da selecção de Sub-19 no que se refere à habilidade, sabedoria e grau de elegância - misturando o trabalho duro com um relaxante uso do tempo de lazer, levando-os para jantar fora ou a uma ida ao cinema para quebrar a rotina. As escolhas, substituições e trocas posicionais provaram ser eficientes assim como a abordagem técnica revelou-se a chave para eliminar a Alemanha e a Inglaterra.

Erguer o troféu em Gales foi, sem dúvida, uma enorme satisfação pessoal para o estreante de 54 anos no futebol feminino. Para Gilles, no entanto, a maior satisfação será passar para o seu colega e amigo Bergeroo uma geração de vencedoras que auguram um bom futuro para a selecção sénior de França.

http://pt.uefa.com/womensunder19/season=2013/technical-report/winning-coach/index.html#seleccionador+vencedor