A final

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A final

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Os jogos de futebol são muitas vezes brindados com os desfechos esperados, mas há vezes em que tudo sai contra o esperado. No entanto, a final entre a França e a Inglaterra, disputada no estádio Parc y Scarlets, em Llanelli, foi uma daquelas em que o favorito ganhou, apesar do trabalho de treinadores e analistas de vídeo que fizeram uma exaustiva análise do respectivo adversário.

Veja: história da final de 2013

As inglesas, orientadas por Mo Marley, chegaram à final sem sofrer golos. A guarda-redes da França, por seu lado, apenas foi batida por duas vezes, ambas das marca de grande penalidade. Apesar de os dois conjuntos terem marcado em todos os outros encontros, não o fizeram apenas quando se defrontaram, no primeiro dia da prova. Se fosse pedido a alguém para escrever um argumento para a final, seria, decerto, perdoado por escrever algo em prol das virtudes defensivas dos dois conjuntos – apesar de este tipo de ocasiões ser mais propício à prosa e não à poesia. Para aqueles que analisaram as equipas durante a competição, a final foi um encontro entre dois blocos muito bem orientados tacticamente. Mas para aqueles que foram ao estádio à espera de um jogo com futebol de ataque, a partida tê-los-á desiludido, pois assistiram a duas equipas a jogar na expectativa.

O ambiente estava quase perfeito. Apesar de os relógios locais marcarem 15h00 e o sol brilhar bem alto, um vento oriundo do Mar da Irlanda atravessava o País de Gales e fazia com que a temperatura caísse, apelando a que os espectadores se agasalhassem. Ao ver as equipas alinhadas para ouvir os hinos, num belo e bem tratado tapete verde, a tentação era para olhar para as duas guarda-redes – a inglesa, Elizabeth Durack, toda de amarelo, ainda sem sofrer tentos, e a francesa Solène Durand, toda de vermelho – e pensar se elas iriam ou não buscar a bola ao fundo da baliza.

©Sportsfile

A francesa Ghoutia Karchouni persegue Katie Zelem

Quando a árbitra polaca Monika Mularczyk apitou para o começo do jogo, as estratégias foram de imediato visíveis. As formações pareciam o espelho uma da outra. Na Inglaterra, a capitã Sherry McCue e Katie Zelem mostravam-se incansáveis na missão de erguer um muro em frente ao quarteto defensivo, enquanto Jessica Sigsworth fazia o papel de número 10 no apoio ao trio da frente, com Nikita Parris na direita, Melissa Lawley na esquerda e a poderosa Bethany Mead no centro.

Gilles Eyquem, possuidor das melhores alternativas no banco de toda a competição, optou pelo modelo atacante que havia desmontado a defesa alemã na segunda parte da meia-final. O castigo da capitã Griedge M'Bock Bathy obrigou a uma alteração no coração da defesa, onde, depois de alguns problemas posicionais no começo, Charlotte Saint Sans Levacher ligou de forma suficiente com a rápida e atlética Aissatou Tounkara, contribuindo para o jogo atacante através de bons passes diagonais para Kadidiatou Diani, no flanco esquerdo do ataque. Mas seria à frente das quatro de trás que a estratégia da França decidiu o jogo.

Em teoria, Sandie Toletti teria o mesmo papel de 10 tal como Sigsworth. No início foi assim, mas rapidamente se encaixava na linha atacante para formar uma linha de quatro na frente, em confronto directo com o sector mais recuado da Inglaterra. Claire Lavogez, na direita, e Diani, na esquerda, estavam preparadas parar as influentes laterais inglesas, Martha Harris e Paige Williams, testando frequentemente a sua capacidade nos duelos individuais.

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Sandie Toletti comemora o primeiro golo

Para a retaguarda da Inglaterra apenas havia tempo para defender. Com as adversárias a pressionarem muito e bem alto, construir a partir de trás era um exercício muito arriscado. A solução era jogar longo, com a bola a parar, frequentemente, nos pés da concentrada defesa francesa. Quando a Inglaterra conseguia sair a jogar, tinham que tentar ultrapassar as exímias recuperadoras de bolas de Eyquem, Aminata Diallo e Ghoutia Karchouni, sempre prontas a jogar em antecipação e ágeis no desarme, ganhando muitas segundas bolas quando os passes longos das inglesas eram rechaçados pela defesa francesa.

Com as jogadores da frente da Inglaterra a correrem atrás da portadora da bola em vez de pressionarem colectivamente, o jogo era marcado pelo domínio da França, enquanto as inglesas apenas logravam resistir. Os bloqueios defensivos faziam com que entrar pelo meio não fosse possível e obrigavam a que os lançamentos longos provocassem dezenas e dezenas de lançamentos de linha lateral, que quebravam muito o ritmo de jogo. Com os ataques a terminarem raramente em acções contra a baliza, muito do jogo decorria apenas na zona intermediária do relvado.

Nenhuma das equipas tinha problemas em recorrer às suas guarda-redes, que eram muitas vezes chamadas ao jogo, mas raramente para fazer uma defesa. Duas excepções ocorreram no espaço de 90 segundos, a meio da primeira parte, quando maus alívios defensivos fizeram com que tivessem parar os remates de Clarisse Le Bihan e Mead. O primeiro tempo terminou sem grandes novidades, com Toletti a atirar à baliza e um lance confuso após um canto da França (o primeiro da partida, aos 44:50 de jogo), no qual a bola foi duas vezes aliviada em cima da linha de golo inglesa.

A Inglaterra voltou do balneário com vontade de mudar os acontecimentos, fruto de uma maior rapidez nas acções e nos passes, em vez do jogo directo, iniciado na defesa. Pouco depois do recomeço, Parris isolou-se, mas Durand foi rápida no desarme. A França, com o andar do relógio também forçou o ritmo, fruto de boas trocas de bola, mas sem, contudo, levar o perigo à baliza adversária.

Deste modo, a França dominou o jogo na segunda parte, mas eram da Inglaterra as maiores situações de perigo. Williams surpreendeu toda a gente, menos a guardiã francesa, ao marcar rapidamente um livre; Parris também tentou a sua sorte, de longe; Mead, depois de ganhar um ressalto, viu o seu remate ser salvo em cima da linha. Três cantos produziram outras tantas situações de algum perigo. Contudo, findos os 90 minutos, tudo continuava na mesma.

Veja: entrevista vídeo com a autora do golo da vitória

Entretanto, Eyquem fizera alterações que – tal como acontecera na meia-final - se vieram a revelar decisivas, refrescando o ataque com Léa Declercq para o lugar de Le Bihan e Faustine Robert em vez de Lavogez. Passados cinco minutos do começo do prolongamento, a França inaugurava, por fim, o marcador entre as duas equipas, após 185 minutos em branco. Um canto ensaiado resultara contra a Alemanha e seria também numa bola parada que a final se começaria a decidir, quando a entrada Robert bateu um livre da direita. Toletti cabeceou de cima para baixo, a bola desviou na defesa-central Aoife Mannion e bateu assim Durack.

Marley procurava incentivar as suas pupilas aquando da troca de campo, na altura em que rapidamente pararam para se refrescar junto ao banco. Contudo, como admitiu no fim, as suas jogadoras já nada mais tinham para dar. Com dez minutos para jogar, mesmo a aparentemente infatigável McCue parou, extenuada no meio-campo, sendo substituída por Jade Bailey.

Ante uma Inglaterra nitidamente em quebra, a França aproveitou para dar a estocada final, beneficiando da fraca oposição. A outra arma lançada do banco francês, Declercq, impedida de marcar num um-contra-um por Durack minutos antes, recebeu um centro da direita de Robert. O seu remate à baliza embateria na defesa inglesa, mas o ressalto iria colocar a bola no caminho de Diallo que cabeceou para o 2-0, decidindo a final.

Quando soou o apito final, as inglesas estavam de tal maneira exaustas que não mal conseguiam mostrar as suas emoções. Gilles Eyquem abraçava o restante corpo técnico enquanto as jogadoras saltavam de alegria. Foi preciso tempo e empenho, mas as rolhas do champanhe iriam, por fim, começar a saltar.

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