Três razões para o Schalke acreditar na reviravolta frente ao Ajax

Derrotado por 2-0 em Amesterdão, o Schalke terá muito trabalho pela frente para virar a eliminatória frente ao Ajax, mas encontrámos três razões para os alemães se sentirem optimistas.

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Podemos estar certos de que realizámos uma exibição excepcional numa eliminatória dos quartos-de-final da UEFA Europa League quando o maior lamento é não termos derrotado uma equipa da Bundesliga por mais de dois golos. É precisamente essa a situação do Ajax, que, com uma exibição categórica em Amesterdão, na semana passada, podia muito bem ter terminado a primeira mão com uma vantagem de quatro ou cinco tentos.

O principal desafio para o seu adversário, o Schalke, passa agora encontrar forma de evitar que o Ajax consiga criar agora na Alemanha tantas situações de perigo como as que conseguiu na quinta-feira passada. Amin Younes esteve electrizante e foi, de longe, o melhor alemão em campo, com as suas constantes investidas pela esquerda, enquanto Justin Kluivert também causou muitos problemas ao Schalke pela direita e esteve mesmo na origem do segundo golo.

Matija Nastasić, do Schalke (à esquerda), tenta travar Bertrand Traoré
Matija Nastasić, do Schalke (à esquerda), tenta travar Bertrand Traoré©AFP/Getty Images

Mas se a formação de Gelsenkirchen conseguir travar os ataques do Ajax pelos flancos, corre o risco de, ao fazê-lo, abrir demasiados espaços pelo meio, onde Davy Klaassen e Bertrand Traoré constituem ameaça real. Atrás deles, Hakim Ziyech, médio com pés de veludo, é a base de muitos dos ataques do Ajax e, se necessário, o treinador Peter Bosz pode ainda contar com David Neres e Kasper Dolberg. O Ajax parece ter, pois, demasiada qualidade em seu poder para deixar escapar a vantagem conquistada no primeiro jogo.

Ainda assim, deixamos aqui três razões pelas quais o Schalke pode acabar por dar a volta aos acontecimentos e garantir um lugar no sorteio das meias-finais.

1. Optimismo e tudo por tudo
Não é fácil recuperar de uma desvantagem de 2-0, mas está longe de ser impossível – porque o jogo da segunda mão pode ser totalmente diferente do da primeira. Basta perguntarem ao Paris Saint-Germain, que, de forma quase inacreditável, deixou fugir uma vantagem de quatro golos contra o Barcelona na UEFA Champions League, no mês passado. Com os fantásticos adeptos da Nordkurve a puxar pela equipa, a Arena AufSchalke é capaz de intimidar até a mais experiente das equipas. E dificilmente o Schalke jogará pior do que o fez em Amesterdão. Além disso, a equipa sabe que esta é a sua derradeira oportunidade de conquistar algum troféu esta temporada, pelo que não terá nada a perder. Será o seu tudo ou nada.

O guarda-redes do Schalke, Ralf Fährmann, esteve em grande na primeira mão
O guarda-redes do Schalke, Ralf Fährmann, esteve em grande na primeira mão©Getty Images

2. "Gegenpressing"
Se os anfitriões conseguirem colocar em campo a filosofia do "gegenpressing", tão apreciada pelo treinador Markus Weinzierl, então o jogo será mesmo muito diferente. A ideia passa por colocar o adversário sob pressão logo no momento em que se perde a bola, de forma a reconquistá-la o mais depressa possível. Por outras palavras, não recuar logo para uma formação defensiva e esperar que o adversário avance. Forçá-lo, em vez disso, a ceder de volta a posse de bola. Caso o Schalke o consiga fazer, isso poderá causar graves danos na estratégia habitual do Ajax, que passa por construir as jogadas a partir de trás.

3. Ralf Fährmann
O guarda-redes do Schalke esteve verdadeiramente excepcional na primeira mão, negando golos certos a Traoré (por duas vezes) e Younes em situações de um para um. Desviou ainda, com a ponta dos dedos dois outros remates perigosos e efectuou mais uma série de intervenções cruciais. Klaas-Jan Huntelaar admitiu, no final do encontro, que o guardião de 28 anos "manteve o Schalke na discussão da eliminatória graças à sua actuação". Fährmann é também determinante para a vontade expressa pelo treinador, Weinzierl, em ver a sua equipa sair construir as suas jogadas desde a defesa; muitos dos lances ofensivos da equipa nascem da sua distribuição de bola.