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Del Bosque quer fazer história

A Espanha está "em vias de conseguir algo que nunca ninguém conseguiu", disse Vicente del Bosque, a pensar na perspectiva de ganhar o terceiro grande torneio internacional seguido.

Vicente del Bosque instrui os seus jogadores durante a meia-final ante Portugal
Vicente del Bosque instrui os seus jogadores durante a meia-final ante Portugal ©AFP/Getty Images

Vicente del Bosque tinha dois coisas na cabeça quando chegou a Kiev, após a dramática vitória sobre Portugal na meia-final do UEFA EURO 2012: bravura e história.

O treinador espanhol, de 61 anos, viu "La Roja" virar uma desvantagem de 1-0 no desempate por penalties, graças a um remate à Panenka de Sérgio Ramos, a uma defesa de Iker Casillas na tentativa de João Moutinho e a um disparo à barra de Bruno Alves, que abriu caminho ao remate decisivo de Cesc Fàbregas, que garantiu à Espanha um triunfo ao estilo do que obteve há quatro anos, num desempate com a Itália.

Del Bosque ficou orgulhoso e impressionado com a exibição da sua equipa. "Estamos aqui a representar toda a Espanha e, graças a estes jogadores, estamos em vias de conseguir algo que nunca ninguém conseguiu antes. Basta vencermos no domingo", disse, referindo-se à oportunidade histórica de conquistar o terceiro grande título internacional seguido.

"É a prova dos avanços no futebol mundial, mas espero que o sentimento de orgulho e de evolução também se traduzam na sociedade espanhola", acrescentou. "Já conseguimos algo de que toda a gente se pode orgulhar e, se fizermos história na final, isso será ainda mais real".

Del Bosque confessou que a dramática decisão do derby ibérico se tornou extremamente tensa, mas deixou claro que a sua confiança na técnica e no sangue frio dos seus jogadores foi total. "Os jogadores que marcaram os penalties ofereceram-se para o fazer porque acreditaram neles próprios".

"São futebolistas corajosos, que tinham mais a perder do que a ganhar, mas que estavam cientes das suas capacidades, e isso para mim é suficiente. Ramos é um rapaz confiante e não lhe disse nada sobre a forma excêntrica como marcou o penalty, embora tenha ouvido uma ou duas piadas de outros jogadores".

"Fomos corajosos também durante o jogo. A nossa estratégia nas substituições prova-o. Foi uma decisão tensa apostar em Pedro [Rodríguez] naquela altura porque era a nossa terceira alteração e faltava muito tempo. Se houvesse alguma lesão, não tínhamos hipóteses de fazer outra substituição".

"Mas eu queria juntá-lo a Jesús Navas, porque o objectivo era ganhar. Queríamos atacar a defesa portuguesa e ganhar no prolongamento. Penso que estivemos perto de o conseguir. Quanto à final, não me preocupa o adversário. Tudo o que quero é mostrar o futebol pelo qual somos tão apaixonados e tentar fazer história com mais uma vitória".