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Sonho de Delaunay vira realidade

O Campeonato da Europa teve impacto imediato e, na final inaugural, a União Soviética bateu a Jugoslávia: Lev Yashin mostrou classe antes do golo decisivo de Viktor Ponedelnik.
Sonho de Delaunay vira realidade
O capitão da União Soviética, Igor Netto (à direita) ergue o troféu Henri Delaunay ©UEFA.com

Sonho de Delaunay vira realidade

O Campeonato da Europa teve impacto imediato e, na final inaugural, a União Soviética bateu a Jugoslávia: Lev Yashin mostrou classe antes do golo decisivo de Viktor Ponedelnik.

Tal como aconteceu com o Campeonato do Mundo, com a Taça dos Clubes Campeões Europeus e com os Jogos Olímpicos da Era Moderna, a primeira grande competição europeia de selecções resultou da mente de um francês, Henri Delaunay, o secretário da Federação Francesa de Futebol.

A ideia surgiu em 1927, mas só depois da criação da UEFA, em 1954, é que o projecto viu reunidas as condições para avançar. Mesmo assim, algumas federações mostraram-se reticentes e, quando foi dada luz verde no Congresso da UEFA de 1957, Delaunay já tinha falecido há dois anos. No entanto, o dirigente francês não foi esquecido e viu o seu nome escolhido, de forma natural, quando chegou o momento de baptizar o troféu.

A França, país de origem de Delaunay, chegou até às meias-finais e foi escolhida para receber a fase final, mas os primeiros contratempos surgiram muito antes da hora das grandes decisões. O número mínimo de 16 participantes só se atingiu graças a inscrições de última hora e a primeira edição da Taça das Nações Europeias arrancou sem nações importantes como a Itália, a República Federal da Alemanha e a Inglaterra.

A prova disputou-se num sistema de eliminatórias a duas mãos até às meias-finais e teve o arranque oficial a 29 de Setembro de 1958, no Estádio Tsentralni Lenin, em Moscovo. Nesse dia histórico, 100,572 espectadores viram Anatoli Ilyin marcar o primeiro golo da prova aos quatro minutos, na partida em que a União Soviética bateu a Hungria por 3-1, conseguindo depois o apuramento com um total de 4-1.

Nos quartos-de-final, os soviéticos foram impedidos de entrar em Espanha pelo General Franco, facto que permitiu o apuramento directo da equipa de Gavril Kachalin para a fase seguinte. França, Jugoslávia e Checoslováquia chegaram às meias-finais de forma mais tradicional, mas a eventual ideia de que os soviéticos não mereciam estar numa fase tão adiantada da prova ficou dissipada em Marselha, quando venceram os checos por 3-0, num encontro em que Valentin Ivanov bisou.

A equipa anfitriã foi eliminada num emocionante embate com a Jugoslávia, cujo resultado ficou em 5-4 e se mantém até hoje como o jogo com mais golos num Europeu. Os franceses não puderam contar com Raymond Kopa e Just Fontaine, mas os jugoslavos mostraram enorme talento, em contraste com a atitude defensiva da União Soviética na final de Paris, disputada a 10 de Julho de 1960.

Os jugoslavos dominaram os 90 minutos, mas o lendário Lev Yashin realizou uma excelente exibição na baliza da URSS. Milan Galić deu vantagem à Jugoslávia, num remate que desviou num jogador, mas Slava Metreveli marcou um golo que levou o jogo para prolongamento. A Jugoslávia quebrou fisicamente e Viktor Ponedelnik decidiu o encontro com um golo de cabeça e deu à União Soviética o seu primeiro e único troféu.

"Há jogos e golos que são muito especiais, uma espécie de clímax na carreira desportiva de um jogador", recordou Ponedelnik. "Foi o melhor momento da minha vida". Também o Campeonato da Europa iria viver muitos outros momentos semelhantes.

Última actualização: 10-01-14 18.56CET

http://pt.uefa.com/uefaeuro/history/background/henry-delaunay/index.html