Como o Benfica bateu o Atlético Madrid
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
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Após ver o Benfica vencer por 2-1 no terreno do Atlético de Madrid, o repórter Joseph Walker fala sobre uma exibição visitante digna de deixar orgulhoso o próprio Diego Simeone.
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Com uma exibição plena de eficácia, o Benfica encostou o Atlético Madrid à parede e infligiu à turma espanhola apenas a sua segunda derrota nos últimos 25 jogos europeus disputados no Vicente Calderón.
Os "rojiblancos" não perdiam em casa nas provas europeias desde Fevereiro de 2013, mas viram-se derrotados por 2-1 frente a uma equipa de Rui Vitória que mostrou uma certeza e uma entrega normalmente comuns às formações orientadas por Diego Simeone.
São os golos que ganham os jogos
Desde essa última derrota, o Atlético tinha já levado a melhor sobre AC Milan, Barcelona e Juventus no Calderón, enquanto Chelsea e Real Madrid, não tinham ido aí além de nulos.
Efectivamente, o último golo sofrido pelo Atlético no seu estádio em jogos da UEFA datava de 2014, no triunfo por 4-1 conseguido sobre Milan. Após Ángel Correa ter inaugurado o marcador à passagem do minuto 23 frente ao Benfica, pensou-se que nova vitória seria uma mera formalidade para os anfitriões.
Contudo, uma série de oportunidades desperdiçadas para dilatar a vantagem - as mais flagrantes falhadas pelo próprio Correa e por Jackson Martínez - mantiveram o Benfica na discussão do encontro e o Atlético acabou por pagar caro por isso, com Nicolás Gaitán a gelar os adeptos da casa ao rematar para o empate, a dez minutos do intervalo.
Motivados, os visitantes entraram no segundo tempo com novo golo, naquele que foi apenas o seu segundo remate na direcção do alvo, desta feita assinado por Gonçalo Guedes, deixando o Benfica tranquilamente no controlo do Grupo C.
Saber contrariar o destino
Teria sido fácil para o Benfica baixar os braços depois de se ver em desvantagem, ainda para mais perante uns adeptos da casa completamente ao rubro. O Atlético conquistou 12 pontapés de canto ao longo do encontro, contra apenas um conquistado pelas "águias", fez 22 remates contra cinco e dispôs de 55 por cento do tempo de posse de bola. Mas a turma de Rui Vitória soube defender bem e contrariar o destino.
"O apoio dos adeptos deu-lhes muita força, mas nós também tínhamos alguns adeptos nossos no estádio, os quais nos ajudaram bastante", afirmou Gaitán. "Conseguimos empatar e, depois, marcar o segundo no contra-ataque. Até podíamos ter feito mais mas soubemos sofrer e isso também faz parte do futebol."
Com o Atlético balanceado no ataque, a correr atrás do resultado, o Benfica mostrou-se sempre capaz de voltar a poder surpreender no contra-ataque e isso ajudou a que os homens da casa ficassem sem soluções para chegar à igualdade.
Um Gaitán em grande
"Viemos a um estádio que o Atlético tinha tornado numa autêntica fortaleza nos últimos anos, mas temos consciência do nosso valor e daquilo que somos e não somos capazes de fazer", afirmou o internacional argentino. Talvez estivesse até a ser modesto.
Perigoso sempre que a bola chegou aos seus pés, Gaitán, de 27 anos, foi o jogador em destaque na partida. Depois de mostrar toda a sua qualidade técnica no remate com que bateu Jan Oblak para o empate, conduziu o contra-ataque que deu origem ao segundo golo após o intervalo.
Depois de receber um passe de Eliseu ainda a meio-campo, Gaitán arrancou pela esquerda, flectiu para dentro deixando Diego Godín para trás, levantou a cabeça e, de pé direito, efectuou um passe perfeito para a finalização de Gonçalo Guedes.
Olhar o futuro
Os "miúdos-maravilha" Ángel , de 20 anos, e Gonçalo Guedes, de 18, estrearam-se a marcar na UEFA Champions League e têm todas as razões para estarem satisfeitos com as suas actuações.
Titular pela primeira vez pelo Atlético, Correa - que foi submetido a uma operação ao coração no ano passado, antes de ser oficialmente apresentado como reforço da turma madrilena este Verão - mereceu a confiança do compatriota Simeone depois de ter impressionado nos jogos anteriores sempre que saltou do banco, e precisou de apenas 23 minutos para recompensar a confiança do seu técnico.
É verdade que podia ter feito mais outro golo, mas o facto de ter desperdiçado essa oportunidade permitiu que Gonçalo Guedes brilhasse. Dois anos mais novo do que Correa, o atacante tinha feito o seu primeiro tento pela equipa principal do Benfica no passado sábado e deu seguimento a uma semana de sonho na mais importante das competições de clubes. Dois nomes a fixar.