
Destroçado pela derrota na final de 2008, frente ao Manchester United FC, e à beira de sofrer nova desilusão frente ao FC Bayern München, no sábado, o primeiro triunfo do Chelsea FC na UEFA Champions League foi conseguido da maneira mais difícil.
O último remate do jogo valeu-lhes este encontro tremendo, o maravilhoso troféu que tanto cobiçavam e curou a mágoa causada pelo desaire de Moscovo, há quatro anos. Mas será que alguma vez o jogo se iria desenrolar de outra forma? Ao longo da fase a eliminar da competição deste ano, os "blues" esperaram até aos derradeiros instantes para realizar algo notável.
A perder frente ao Bayern nos instantes finais, antes do empate alcançado por Didier Drogba, enfrentando um penalty de Arjen Robben no prolongamento e novamente em desvantagem no desempate, mais uma vez o Chelsea mostrou a sua impressionante capacidade de sofrimento. Frente a SSC Napoli, Benfica, FC Barcelona e agora em Munique, era possível ouvir a perigosa contagem decrescente de um relógio, um som que pareceu servir para galvanizar os jogadores de Roberto Di Matteo.
A segunda mão dos oitavos-de-final, frente ao Nápoles, assinalou o início de uma surpreendente alteração no desempenho, atitude e capacidade de realização, mas o momento-chave aconteceu à medida que se aproximava o intervalo do prolongamento. Num momento estava tudo igual, no seguinte Drogba assistia Branislav Ivanović para este fazer o 4-1 da noite, garantir o apuramento e servir de catalisador para se tornarem campeões da Europa.
Foi o primeiro sinal de que o Chelsea tinha-se tornado num predador implacável, que naturalmente aguçava o seu instinto à medida que o tempo se esgotava. Nos quartos-de-final, o Benfica não parecia incomodado com o facto de estar a actuar com menos um jogador e marcou um golo tardio, necessitando de apenas mais um para eliminar os "blues". No entanto, a formação da Premier League não iria sofrer essa desfeita, e Raul Meireles carimbou o apuramento com o golo da vitória já em tempo de compensação.
No entanto, a derradeira preparação para os eventos surpreendentes na final de Munique aconteceu frente ao Barcelona. Na primeira mão, em Stamford Bridge, o campeão esteve a meros segundos de passar incólume a primeira parte, procurando no conforto do balneário a melhor forma de quebrar a resistência do Chelsea. Subitamente, Drogba fez o tento solitário da partida.
Uma semana depois, em Camp Nou, foi novamente no tempo de compensação da primeira parte que Ramires marcou um golo fantástico e retirou o Chelsea da beira do precipício – 2-1 nesse jogo e com um elemento a menos, após a expulsão de John Terry. Em igual medida, Fernando Torres colocou a cereja no topo do bolo quando já se tinham esgotado os 90 minutos regulamentares.
No entanto, a final foi o "golpe de asa" dos "blues". Um espectacular cabeceamento de Drogba, aos 88 minutos, fez o empate, mas foi só quando o seu penalty descansou no fundo das redes que o Chelsea finalmente provou que mais vale tarde do que nunca.
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