Paixão mantém motivação de Inzaghi
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
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Filippo Inzaghi, do Milan, pode enfrentar uma longa paragem para recuperar de lesão, mas vai apoiar-se nas emoções sentidas quando marcou o seu 70º golo nas competições europeias, no dia 3 de Novembro.
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Esta tem sido uma quinzena de emoções mistas para o avançado Filippo Inzaghi, do AC Milan. A sua época terminou devido a uma lesão num joelho, no entanto, o orgulho é o sentimento dominante do veterano de 37 anos, depois de ter bisado no empate a dois com o Real Madrid CF, na quarta jornada da UEFA Champions League, elevando a sua conta pessoal nas competições europeias para 70 golos.
"O ruído de San Siro que me acolheu quando entrei no relvado, e depois quebrar o recorde" - disse o jogador que é apelidado de "Superpippo" pelos adeptos - "essas foram emoções muito bonitas que vou guardar para sempre". O antigo jogador da Juventus desafiou as probabilidades inúmeras vezes, a mais recente ao voltar a ser decisivo sob o comando de Massimiliano Allegri, depois de ter atravessado um período difícil quando era orientado por Leonardo, na época passada. Mas enquanto a sua equipa está bem posicionada, no segundo lugar do Grupo G, antes da deslocação ao terreno do AJ Auxerre, Inzaghi vai ter que recuperar do revés.
Precisa de ser operado à lesão nos ligamentos do joelho, contraída no triunfo por 3-1 sobre o US Città di Palermo, no dia 10 de Novembro, e é pouco provável que esteja disponível para a final de Wembley, no dia 28 de Maio. Inzaghi sabe melhor que muitos o que é disputar a final da Taça dos Clubes Campeões Europeus. Sofreu a desilusão da derrota por duas vezes, pela Juventus, em 1998, e Milan, em 2005. Mas ainda assim conseguiu conquistar o troféu duas vezes ao serviço dos "rossoneri" – em 2003 e 2007, quando apontou um "bis" na final de Atenas, frente ao Liverpool FC.
"Ambas foram experiências maravilhosas, mas sempre disse que a UEFA Champions League em que fui mais importante foi a de 2003", disse Inzaghi. "No entanto, aquela que os adeptos melhor recordam é a de 2007, que mostra o quão importante são os golos numa final. Não consigo decidir qual é o mais memorável – são dois jogos que nunca vou esquecer. Mas, tal como disse, quando se marcam dois tentos na final da UEFA Champions League, é igualmente especial."
Algo também raro é ser felicitado por um treinador adversário, após quase ter abatido a sua equipa. E foi exactamente isso que Inzaghi recebeu de José Mourinho, depois de ter sido suplente utilizado e marcado dois golos frente ao Real, no dia 3 de Novembro. "Sempre disse coisas boas sobre mim e existe muito respeito, apesar de nunca ter sido meu treinador", afirmou Inzaghi. "Penso que chegar aqui, enfrentar um público hostil, e depois abraçar um jogador que marcou dois golos à sua equipa – e dar-lhe os parabéns pelo recorde – foi um gesto amável."
Inzaghi está agora em igualdade com Raúl González, antiga glória dos "merengues", no topo da lista de melhores marcadores das competições europeias, apesar de o avançado do FC Schalke 04 ter no futuro mais oportunidades para se distanciar, enquanto o seu adversário recupera. "Enquanto futebolista, penso que a nossa história fala por nós", acrescentou o antigo internacional italiano. "É verdade que tenho prestado atenção ao recorde, porque há muito tempo que temos vindo a competir por ele."
"Agora ele está no Schalke, com bastantes oportunidades de jogar, por isso sei que vai passar para a frente novamente. Mas estar em primeiro lugar deixa-me muito feliz. Se Raúl me ultrapassar, felicito-o, porque tem sido um grande jogador." Inzaghi desfrutou de uma carreira igualmente ilustre, e mostra sinais de que não vai permitir que esta lesão seja o fim.
"O segredo é a paixão", revelou. "Paixão pelo que faço, o facto de me divertir como um miúdo, de existir o desejo forte de jogar e de me sentir acarinhado por aqueles que vêm treinar todos os dias, e que me ajudam a trabalhar ainda mais. Tenho o melhor emprego do Mundo. Penso que é isso que os mais jovens precisam de aprender. Tento aproveitar isso ao máximo e até ao fim. Provavelmente é por isso que, aos 37 anos, ainda consigo viver noites espectaculares, tal como aconteceu frente ao Real."