Depois do encerramento de um período de transferências no qual todos perderam jogadores importantes, podia pensar-se que FC Porto, SL Benfica e SC Braga queriam apenas seguir tranquilamente as respectivas campanhas UEFA Champions League. Mas lidar com a partida dos seus maiores talentos é algo a que Portugal já está habituado.
No futebol europeu, os principais clubes portugueses são mestres na arte do improviso, reutilizando, reconstituindo e renovando para se adaptarem. O encorajador desempenho das três equipas do país na segunda jornada da UEFA Champions League, com vitórias para Porto e Braga e uma derrota digna do Benfica frente ao FC Barcelona, constitui um exemplo perfeito desse espírito.
Como é hábito em Portugal, uma nova geração de jogadores começa a emergir discretamente e com pouco alarido. Talvez a mais fantástica das exibições tenha sido protagonizada por Éder, ponta-de-lança do Braga. Nascido na Guiné-Bissau, o atacante de 24 anos chegou à formação do Minho proveniente da A. Académica de Coimbra, a competir esta época na UEFA Europa League, com um modesto registo de golos e a difícil missão de fazer esquecer Lima, um dos melhores marcadores a Liga portuguesa na época passada.
Éder mostrou-se uma ameaça constante para a defesa do Galatasaray AŞ, com movimentações inteligentes, e esteve nos dois golos do triunfo dos "arsenalistas" na Turquia. Foi recompensado com a chamada à selecção de Portugal nos jogos da fase de qualificação para o Campeonato do Mundo disputados este mês e ajudou na construção do lance que permitiu a Hélder Postiga evitar a derrota diante da Irlanda do Norte.
Nemanja Matić foi outro dos jogadores a afirmar-se e marcar posição, mostrando-se totalmente confortável no meio-campo defensivo do Benfica frente ao Barcelona, diante da conceituada dupla formada por Andrés Iniesta e Xavi Hernández. Por outro lado, no FC Porto, o guarda-redes Helton e o capitão Lucho González foram os únicos jogadores com mais de 30 anos a alinhar pelo campeão lusitano na recepção ao Paris Saint-Germain FC, num encontro em que coube a um jovem, James Rodríguez, de 21 anos, apontar o golo da vitória e assumir o papel de herói que, até há bem pouco tempo, pertencia a Hulk.
©AFP/Getty ImagesJames Rodríguez marcou o golo da vitória do FC Porto sobre o PSG
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