Primeiro passo contra a discriminação institucional
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
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A UEFA juntou-se à FARE e a outras entidades do futebol na organização de um seminário que analisou, pela primeira vez, o problema da discriminação institucional na modalidade.
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A UEFA, a Federação Holandesa de Futebol (KNVB), a Federação Inglesa de Futebol (FA) e a Rede Pan-europeia Contra o Racismo no Futebol (FARE) organizaram um seminário em Amesterdão para dar os primeiros passos no combate à discriminação institucional no futebol.
Esta é uma iniciativa inovadora, como o vice-presidente da UEFA, Şenes Erzik, fez questão de recordar aos delegados. "É a primeira vez que a UEFA, ou outro qualquer organismo responsável pelo futebol, destaca um problema que até agora tinha passado despercebido", sublinhou. "É preciso alguma coragem para fazer algo que nunca tinha sido tentado. A exclusão em alguns sectores do nosso desporto é uma questão importante, especialmente nos sectores administrativos e de gestão."
Steven Bradbury, investigador associado do Instituto do Desporto para Jovens, da Faculdade de Desporto, Exercício e Ciências da Saúde da Universidade de Loughborough, apresentou um relatório de uma investigação realizada sobre a representação das minorias no futebol europeu. O investigador mostrou que a discriminação institucional, entre outras coisas, é um fracasso colectivo de uma organização a todos os níveis, quer seja intencional ou não, na prestação de serviços adequados às pessoas devido à sua origem étnica, cultural ou religiosa ou sexual.
Uma das questões levantadas em relação à discriminação institucional foi a reduzida presença de treinadoras no futebol, profissional e amador, na Europa, assim como o número reduzido de mulheres envolvidas na gestão do futebol e a desempenharem cargos administrativos em clubes que se dedicam ao futebol profissional masculino.
No entanto, o relatório também destaca exemplos positivos. Na Noruega tem vindo a ser aplicado um sistema de quotas desde 1985, obrigando à presença de pelo menos uma mulher em cada um dos comités centrais. Isso levou a uma representação de 40 por cento de mulheres, com Karen Espelund a tornar-se em 1996 na primeira mulher a ocupar o cargo de vice-presidente da Federação Norueguesa de Noruega (NFF), sendo posteriormente secretária-geral.
"Se não existisse um sistema de quotas, eu nunca teria tido oportunidade de mostrar as minhas capacidades", explicou. "É claro que depois temos de mostrar que somos capazes, mas as quotas são muito importantes no início de carreira."
Outra questão importante é que, embora 32,7 por cento dos jogadores de topo sejam imigrantes de outros países da Europa, África e América do Sul, menos de um por cento dos administradores de clubes profissionais e dos membros dos comités executivos das federações nacionais e associações regionais são elementos de minorias étnicas.
O antigo presidente do Olympique de Marseille, Pape Diouf, elogiou os organizadores do seminário de Amesterdão. O senegalês destacou que, embora uma grande percentagem de jogadores em França sejam de origem africana, poucos prosseguem a carreira como treinadores ou assumem cargos de responsabilidade. "Não é um problema apenas do futebol, mas sim de toda a sociedade", afirmou. "Fui o primeiro presidente de origem africana de um clube em França e espero que não tenha sido o último."
Bryan Roy, antigo jogador do AFC Ajax e do Nottingham Forest FC, que actualmente treina os escalões jovens do clube de Amesterdão, avaliou a sua carreira depois de deixar os relvados e sublinhou a importância da educação - "não penso que seja uma questão da cor da pele", afirmou. "O Johan Cruyff criou a sua academia, para que os jovens desportistas tenham também oportunidade de estudar e, desta forma, tenham mais hipóteses de continuar ligados ao desporto depois de terminarem as carreiras. Considero que a educação é fundamental."
Todos os delegados concordaram que este encontro em Amesterdão foi o primeiro passo para encontrar soluções para este problema. "É muito fácil mudar algumas coisas. Apelo aos presidentes das federações nacionais para agirem e mostrarem a todos que podemos facilmente mudar o cenário actual", afirmou Michael van Praag, presidente da KNVB e membro do Comité Executivo da UEFA.
"Os líderes das federações, seja do futebol ou de outras modalidades, podem alterar as mentalidades, já que essa é a primeira coisa que tem de mudar. Penso que todos os que estiveram aqui presentes ficaram a pensar de forma diferente depois do que escutaram esta manhã. Gostaria de agradecer à FA, FARE e UEFA, assim como a todos os que participaram nesta importante iniciativa".