Presidente da UEFA fala aos ministros do Conselho da Europa
quinta-feira, 15 de março de 2012
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O Presidente da UEFA, Michel Platini, pediu cooperação concertada entre desporto e autoridades europeias num discurso na Conferência dos Ministros Responsáveis pelo Desporto do Conselho da Europa.
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Acção forte contra a viciação de resultados, combater a violência entre espectadores, implementar medidas de "fair play" financeiro e a decisão de disputas desportivas por parte de tribunais desportivos. Quatro tópicos abordados pelo Presidente da UEFA, Michel Platini, num discurso proferido durante a 12ª Conferência dos Ministros Responsáveis pelo Desporto do Conselho da Europa, em Belgrado, esta quinta-feira.
Platini chamou a atenção, em particular, para a criação de uma convenção internacional sobre viciação de resultados e para que esta problemática constitua crime, de modo a combater um fenómeno que, disse, coloca em perigo a estrutura do desporto. O Presidente da UEFA pediu medidas fortes em relação à violência nos estádios e explicou porque é que as medidas de "fair play" financeiro da UEFA pretendem trazer estabilidade financeira ao desporto.
O Presidente da UEFA insistiu também sobre a natureza essencial do futebol de selecções, como fonte de identidade e herança europeia, bem como sobre a necessidade de disputas desportivas serem decididas por órgãos judiciais desportivos em vez de tribunais civis.
"Em Setembro apresentei-me perante vós para desacreditar um mal que tem vindo a destruir a gloriosa incerteza do desporto, nomeadamente a viciação de resultados através de apostas online", disse Platini no início do seu discurso. "A viciação de resultados causou sérios alarmes, eu diria mesmo um medo tremendo. Digo medo porque, por detrás de cada um destes jogos espreitam redes criminosas organizadas, que aproveitam buracos na lei para saquearem competições inteiras."
"A viciação de resultados é uma questão de lei e ordem. Portanto, não pode ser resolvida utilizando unicamente os recursos disponibilizados pelos órgãos desportivos. A Europa deve trabalhar em conjunto para combater a viciação de resultados. Por isso peço assistência imediata da parte dos estados-membros do Conselho da Europa: a viciação de resultados deve constituir crime, a viciação de resultados deve ser banida."
"Com a mesma convicção, também gostaria de dizer que deve existir uma cooperação efectiva entre polícia e autoridades judiciais dos países europeus, de modo a destruir a força destes criminosos. Estou convencido que a maneira mais sensata de proteger a integridade dos nossos desportos é através da cooperação internacional. Sou a favor de uma convenção internacional sobre a viciação de resultados. Esta seria, como é óbvio, apenas mais um passo rumo à sinceridade e integridade no desporto. Mas seria um passo indispensável e demonstração forte das nossas intenções."
Centrando atenção na violência, Platini disse que o seu desejo de combater o fenómeno foi baseado na emoção e na determinação. "Durante muito tempo", afirmou, "pensávamos que tínhamos acabado com a violência. Durante muito tempo mantivemos os olhos fechados. O problema ainda não foi resolvido."
"Por isso é que concordámos em trabalhar juntos, com o Conselho da Europa. Vamos construir uma imponente rede de segurança e de paz em todos os nossos estádios." Este esforço conjunto, continuou o Presidente da UEFA, seria baseado na constituição europeia sobre violência de espectadores e mau comportamento de 1985, especialmente nos jogos de futebol.
Em relação ao "fair play" financeiro, Platini descreveu a situação financeira dos clubes de futebol como "extremamente perigosa". Destacou que, em 2010, os clubes europeus acumularam perdas de mais de 1,6 mil milhões de euros. "Estes números ilustram a fragilidade do sistema em si, que transformou alguns desses clubes em enormes casinos", reflectiu.
"Precisamos de encaminhar o futebol rumo à disciplina financeira", disse. "Precisamos do 'fair play' financeiro. Posso resumir esta abordagem com dois princípios de senso comum: 'viver com os seus próprios meios' e 'há um limite que não pode ser ultrapassado'. A situação tornou-se insustentável. Por isso estamos a agir. Peço-vos uma coisa... protejam o 'fair play' financeiro. Peço-vos que substituam as incertezas perigosas por soluções legais."
Platini prosseguiu falando sobre as competições de selecções, que considera "a verdadeira expressão da cidadania europeia. Diria mesmo que contribuem para a herança cultural do nosso continente. E no entanto as selecções vivem tempos difíceis – a sua legitimidade é minada pela relutância de alguns clubes em libertarem os seus jogadores."
"Perante esta situação incerta, um país estabeleceu a libertação obrigatória de jogadores para a selecção como um princípio na sua legislação nacional. Esse país é a Espanha. Tal iniciativa prova uma coisa: é possível colocar um ponto final neste problema."
O Presidente da UEFA concluiu o seu discurso abordando o tema da justiça desportiva que, segundo ele, "é agora ameaçada diariamente por esquemas destinados a privarem-na das suas prerrogativas".
"Não permitamos que disputas meramente desportivas sejam decididas por tribunais estatais. Perguntem a vós próprios: o que aconteceria se as regras fossem interpretadas de forma diferente em Madrid, Roma e Bruxelas? Estou empenhado em dar aos nossos procedimentos de arbitragem as garantias de que necessitam desesperadamente."
Platini encerrou ainda a sua intervenção pedindo cooperação concertada entre autoridades desportivas e europeias, para o futuro bem-estar do continente. "A cada dia que passa, vejo como, para milhões de europeus, o desporto representa um refúgio, um horizonte, uma identidade", disse. "Se a Europa perdesse tudo isso, a Europa como a conhecemos deixaria de existir. Vamos trabalhar em conjunto para dar ao desporto as regras de senso comum de que necessita. Esta é a nossa luta comum – pela sustentabilidade do desporto e o futuro da Europa."