Adeptos e agentes financeiros
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Sumário do artigo
Na sua coluna editorial da mais recente edição da UEFA•direct, Gianni Infantino, secretário-geral da UEFA, salienta que o futebol deve assumir as suas responsabilidades perante a actual crise económica.
Conteúdo media do artigo
Corpo do artigo
Na sua coluna editorial da mais recente edição da publicação oficial da UEFA, a UEFA•direct, Gianni Infantino, secretário-geral da UEFA, fala sobre a forma como o futebol deve assumir as suas responsabilidades perante a actual crise económica.
O que é que os adeptos do futebol e os agentes financeiros têm em comum? O euro provoca-lhes muitas noites sem dormir - a uns é o entusiasmo provocado pelo EURO de futebol, a outros a ansiedade perante o estado da economia. Devemos ficar descansados no nosso lugar e considerar-nos sortudos?
Não, de todo. Embora seja verdade que o futebol constitui uma fonte de refúgio em tempos de crise, as dificuldades económicas que a Europa atravessa irão acabar por chegar até nós. Seria, pois, errado embarcar numa falsa sensação de segurança.
Afinal de contas, não nos podemos esquecer que é o público que forma a base do nosso desporto. É por eles que as televisões adquirem direitos de transmissão e que as empresas nos destinam uma larga parte dos seus orçamentos de marketing, porque o seu investimento irá dar frutos através do impacto que tem no público, que acabará por comprar os seus produtos.
Já nos podemos aperceber dos efeitos negativos da crise a subirem por entre a cadeia económica e a afectarem o mundo do futebol. Apesar de estes efeitos (ainda) não serem estrondosos, são já visíveis. Jogadores começam a entrar em greve, o desemprego entre os jogadores está a crescer, alguns clubes sentem dificuldades em pagar os seus salários e por aí fora. Para já, estes sinais podem não estar ainda omnipresentes, mas é impossível negar que já existem.
A UEFA está, obviamente, a tomar medidas, mas não pode ser a única a fazê-lo. Isto afecta toda a família do futebol. Toda a gente deve assumir as suas responsabilidades e agir dentro do seu espaço de influência. Um organismo cujos instintos de sobrevivência - em vez de serem inatos - têm de ser reforçados através de regras e regulamentos, irá encontrar dificuldades na sua evolução. Vamos, por isso, assegurar-nos de que fazemos tudo o que for preciso para garantir que até mesmo os agentes financeiros podem esquecer as suas ansiedades em noites de jogos.